sábado, 17 de maio de 2014

Máximas e Reflexões do Doutor Rodrigo Confraria

Bom Senso
Quem age com bom senso não tem garantias absolutas de sucesso, mas a vida provavelmente correr-lhe-á melhor.
Desporto
Para se saber ganhar é preciso saber perder.
Frenesim
Quem aja com ímpeto descontrolado, poderá fazer algo de que se arrependa mais tarde.
Morte
Aproveita enquanto estás cá.
Escravidão
O pior tipo de escravo é aquele que não sabe que o é.
O conhecer
O conhecer é aprender.
Inveja
Usa a inveja para melhorares os teus desempenhos não para prejudicar o próximo.
Estudar
Para se ser alguém tem de se estudar.
Cobiça
Não cobices o que todos desejam, pois fazê-lo é meio caminho andado para nos metermos em trabalhos.



Safari em Orion X4

  Naquela altura o calor era imenso e sufocante. Os animais rugiam, chilreavam, sibilavam... Livingstone empunhava a catana e ia-a balançando para cortar o mato denso. Os mosquitos aferroavam-lhe o pescoço como obstinação doentia. O seu elefante, mais conhecido como Ganesh, tinha um particularidade: estava sempre de trombas. Arrastava as patas no restolho e em transe caminhava abstraído de tudo. Vegetação seca, terras áridas, o que fazer? Já pouca água restava no cantil e a que havia estava morna, quase quente.                 

terça-feira, 13 de maio de 2014

A Palavra

Penso: e se não houvesse palavras?
Penso: e se fosses totalmente mudo?
Por acaso, ó tu, comunicavas?
Por acaso, expressarias tudo?

Palavras soltas, meus mansos devaneios,
Divagações cegas, frases inacabadas, 
Em apontamentos, sonhos, guardei-os,
Agitações da alma desencontradas...

Soluço palavras, trato-as mal,
Troco com elas meigos olhares,  
Sinto-as no peito de forma brutal,
As tresmalhadas, dá-mas, se as encontrares. 

terça-feira, 6 de maio de 2014

O Dia da Noite

De dia humano. À noite lobo. Acabara de roubar uma túnica de uma corda onde estavam estendidas várias peças de roupa a secar ao sol. Para variar, ficara durante a noite com as vestes todas rasgadas aquando da minha última transformação. Assim que vi uma túnica feita à  minha medida, não hesitei: roubei-a de imediato. Era feita de burel e, portanto, era incómoda e desconfortável.Tinha andado uma centena de metros quando, para meu espanto, deparei-me com um osso de dimensões colossais atravessado no caminho. Deu-me ganas de o roer, mas refreei os meus instintos. Afinal, era somente um osso, nada mais. Para além disso, eu já assaltara o talho da vila mais próxima e já tinha a barriga cheia.
O caso parecia resolvido não fora o osso começar a declamar um poema. Ora, na minha vida só ouvira uma única vez  um osso entoar um poema  e fora apenas uma quadra. E ainda por cima, a rima era fraca.
Mais espantado ainda fiquei quando do interior do mesmo, emergiram milhares de escaravelhos dourados a trautear tangos dos anos quarenta. E se eu decidira não comer o osso, os bichinhos pareciam bem determinados em fazer de mim a sua próxima refeição. Como eu estava muito habituado a viver, pensei que era sensato fugir do alcance daquelas criaturas adoráveis. Corri o mais que podia, tropeçando nas pedras e galhos que encontrei pela frente. Ao ver diante de mim um ribeiro, mergulhei nas suas águas agitadas. Arrependi-me logo de seguida, pois estavam geladas e parecia que pequenas agulhas, aos molhos, se cravavam na minha pele todas em simultâneo. Confesso que ser devorado por escaravelhos, provavelmente, não será tão desagradável como morrer enregelado nas águas de um ribeiro.